segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Lados


Partiste muito antes de a noite chegar, com pés famintos que arranhavam o chão.
Não sei que beleza encontras nas estrelas que apenas sabem brilhar, ou no escuro silêncio onde entregas a razão. 
Não sei que sono embala a bolina que indiferente te morre entre o além e o ficar. 
Não sei...
Pois que a noite faminta dos meus pés te reduz ao escombro do sentir e do pensar 
que um dia o teu corpo na terra a esfriar viverá no dilúvio da minha ilusão.
E as estrelas continuarão lá do alto a cair, indiferentes ao sono onde escureço muito antes de a noite partir
pelos vagos corredores da tua ausência serás em mim toda a demência que saberei ouvir. 

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