segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Alma

alma

Esqueci-me do teu nome, perdido algures no lajedo lavado pelas chuvas de muitos séculos.
Fixo-me no vazio, na inquietude do infinito, no postigo que o tempo abriu no muro antigo, um eco rasgado na demência.
Vala comum dos teus passos, bibliotecária dos teus sonhos, recolho poesias no meu regaço, pensamentos dispersos que te caem dos bolsos.
Não me alcanças, não me sentes; estou no teu lamento cansado, no teu andar curvado, na voz que procuras na ausência.
Eis-me, ao longe, na imensidade, na lágrima que cala o silêncio, sal de uns outros olhos que nos meus derramas.
Ignoras-me em ti, no teu sorriso distante, perdida na surdina que te arrasta; afastas-me com toda a tua ciência.
Não, não habito o espelho da tua vaidade, não sou quem encontras em reflexos errantes; sou simplesmente tu, é por ti que em verdade chamas.      
    

2 comentários:

Isabel Simão disse...

Procuramos sempre por nós! É por isso que por vezes andamos todos tão perdidos, a buscar por baixo das pedras e no alto dos montes... quando a resposta está sempre no local que mais ignoramos...
(E resolvi comentar pela nossa sintonia tão acesa! Escreveste o que escreveria. Assustadoramente!)
Peixe ainda a recuperar do susto

Leda Dylluan disse...

E que sintonia! Fiquei perplexa quando li o teu poema, também tive a mesma sensação de susto, como se tivesse sido escrito para mim ou por mim. Ambas decidimos falar na mesma altura sobre o que se oculta tão perto de nós, o nosso próprio ser.

alma de um peixe